Violência Urbana - Funk para roubo de carros.
29/10/04
CD de funk incentiva roubo de carros no Rio
Depois das histórias de tráfico, chacinas e armas poderosas,
o mercado de CDs de funk proibido faz apologia a um novo tipo de crime: os roubos de carros. Em uma das faixas de um CD que é vendido em camelôs do Rio, um
intérprete canta os detalhes do modo de atuação de traficantes que deixam as bocas-de-fumo para assaltar e aterrorizar motoristas no asfalto.
Gravada
clandestinamente no Baile da Chatuba, em Nilópolis, a faixa Bonde do 157 - referência ao artigo do Código Penal que trata de roubo com ameaça violenta - reproduz um
pesadelo de quem transita pelas vias expressas do Rio: "Não tira mão do volante, não me olhe, não se mexe. É o Bonde da Chatuba, do artigo 157".
O
funkeiro, que não é identificado no CD, brinca com o medo dos motoristas e alerta sobre as reações que podem ser fatais para a vítima. "Desce do carro, olhe para o chão,
não se move. Me dá seu importado que o seguro te devolve", segue a letra.
Segundo a inspetora da Polícia Civil Marina Maggessi, os funks proibidos
acabam servindo como provas nos inquéritos encaminhados à Justiça. Para ela, o Bonde do 157 reflete o que ocorre hoje dentro das facções criminosas, principalmente
quando exalta o "menor periculoso" como líder de quadrilha.
De acordo com Marina, uma das primeiras providências de um novo chefe de tráfico em uma
determinada região é encomendar um funk que o enalteça. "O funk é um dos maiores informantes da polícia. Através das músicas, ficamos sabendo quem domina o tráfico
em várias favelas", observou a inspetora.
Marina lembra ainda que a admiração por menores infratores reforça a tese de que os atuais chefes são meninos
que cresceram usando drogas e não estão conseguindo administrar o crime como os antigos líderes. Com a queda no movimento e os altos custos da guerra entre
quadrilhas, as bocas-de-fumo tentam outras fontes de arrecadação.
As cenas descritas pelo funk proibido confirmam o que apontam as investigações da
polícia e o próprio medo dos usuários de vias expressas como as linhas Vermelha e Amarela e a Avenida Brasil, apontados na letra como locais preferidos pelos
ladrões.
Os versos da música de 3,5 minutos também justificam o roubo: "Nós só quer o malote para ajudar nossa irmandade. Nós só quer o dinheiro para
ajudar nossa família." A família, nesse caso, não são parentes, mas aliados do Comando Vermelho.
De acordo com Marina Maggessi, a designação de
"família" aparece até nas anotações da contabilidade do tráfico, no espaço reservado para a contribuição das bocas-de-fumo para o comando da facção.
Fonte: Terra
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